O estudante de Direito Selmo dos Santos Pereira, de 53 anos, preso após se apresentar como juiz criminal durante uma abordagem da Polícia Militar em São Bernardo do Campo (SP), já tinha um histórico bastante movimentado na Justiça.
Antes da prisão mais recente, Selmo já havia sido detido por estelionato e acumulava registros relacionados a suspeitas de golpes financeiros e drogas. Mas a história não para por aí: em 2010, quando tinha 37 anos, ele chegou a tentar disputar uma vaga de deputado federal enquanto estava preso.
E, para completar o currículo eleitoral, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de nada menos que R$ 91,65 milhões, segundo informações do O Globo.
Em 2010, ele tentou ser deputado enquanto estava preso
Naquele ano, Selmo era candidato pelo então Democratas (DEM) e declarou bens que o colocavam como o sexto candidato a deputado federal mais rico de São Paulo, de acordo com os dados eleitorais citados no caso.
Só tinha um pequeno detalhe nessa história: os valores declarados não correspondiam aos registros encontrados em seu nome.
As autoridades localizaram apenas uma empresa, uma transportadora, que sequer aparecia na relação de patrimônio apresentada por Selmo à Justiça Eleitoral.
Ou seja, o patrimônio declarado era de R$ 91,65 milhões, mas a investigação não encontrou exatamente um império empresarial compatível com a cifra.
Candidatura foi contestada pela Procuradoria Eleitoral
A candidatura acabou sendo contestada pela Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo, que pediu que Selmo fosse impedido de disputar a eleição.
Naquele momento, ele já estava preso desde o início de 2010, após ser condenado por estelionato.
A candidatura acabou barrada.
Agora, 16 anos depois, Selmo voltou a ser preso. Desta vez, segundo a Polícia Militar, por utilizar um documento com sinais de adulteração e afirmar que era magistrado.
Estudante apresentou documento em nome de juiz
A nova prisão aconteceu por volta das 21h30 da segunda-feira (31), na região do Jardim do Mar, em São Bernardo do Campo.
Policiais do 6º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano abordaram o veículo conduzido por Selmo depois de verificarem que ele trafegava acima do limite de velocidade.
Durante a fiscalização, ele apresentou um documento em nome de Jarbas Luiz dos Santos e afirmou ser juiz da 3ª Vara Criminal de Santo André. Também disse ser professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo.
A história, porém, começou a desandar rapidamente.
Mulher reconheceu o estudante e desmontou a versão
Enquanto os policiais realizavam a abordagem, uma mulher que passava pelo local reconheceu Selmo e afirmou que ele era, na realidade, estudante de Direito da instituição.
A partir daí, os policiais levaram o homem ao 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo.
Ao mesmo tempo, outra equipe da PM foi até São Caetano do Sul para localizar o verdadeiro juiz cujo nome teria sido utilizado.
Porque, aparentemente, escolher a identidade de alguém aleatoriamente não era suficiente: era preciso escolher justamente a de um magistrado.
Verdadeiro juiz confirmou identidade e relatou tentativa de compra de imóvel
O magistrado compareceu à delegacia, confirmou sua identidade e relatou aos policiais que havia ocorrido uma tentativa de compra de um imóvel utilizando seu nome.
Uma possível ligação entre esse episódio e a ocorrência envolvendo Selmo ainda será investigada pelas autoridades.
Na delegacia, a identidade de Selmo foi confirmada por meio de impressões digitais.
Sistemas revelaram mandado de prisão em aberto
A consulta aos sistemas policiais trouxe ainda outra informação: havia um mandado de prisão em aberto contra Selmo.
O mandado estava relacionado a uma condenação por estelionato e crime eleitoral, com pena a ser cumprida em regime fechado.
A ocorrência mais recente foi registrada como uso de documento falso e recaptura de procurado.
Selmo permanece à disposição da Justiça.