De estudante de Direito a “juiz”: homem é preso com documento falso e 22 inquéritos por estelionato

Selmo dos Santos Pereira foi abordado no ABC Paulista após dirigir em velocidade incompatível com a via e acabou desmascarado ao apresentar um documento adulterado com o nome de um magistrado

A vida real definitivamente não é um episódio de série jurídica.

Um estudante de Direito foi preso pela Polícia Militar na noite de segunda-feira (31), em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, depois de se apresentar aos policiais como juiz de Direito.

Segundo a ocorrência policial, Selmo dos Santos Pereira apresentou um documento com sinais de adulteração e afirmou ser Jarbas Luiz dos Santos, juiz da 3ª Vara Criminal de Santo André, na Grande São Paulo.

O detalhe? A história começou a desandar durante a própria abordagem.

Abordagem levantou suspeitas

A ocorrência aconteceu por volta das 21h20, durante um patrulhamento de supervisão realizado por policiais do 6º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano.

Segundo a equipe, os policiais avistaram um veículo trafegando em velocidade considerada incompatível com a via e decidiram realizar a abordagem.

Durante a vistoria, nenhum objeto ilícito foi encontrado.

O problema apareceu na hora de conferir a identidade do motorista.

Selmo apresentou um documento que, segundo os policiais, tinha sinais de adulteração. Ele declarou se chamar Jarbas Luiz dos Santos e afirmou ser juiz de Direito da 3ª Vara Criminal de Santo André.

Como se a história já não estivesse estranha o suficiente, ele também disse que ministrava aulas na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo.

Foi aí que veio o plot twist.

Uma motorista que passava pelo local reconheceu o homem e o cumprimentou. Questionada pelos policiais, ela informou que ele seria, na realidade, estudante do curso de Direito da instituição, e não professor.

Diante das informações contraditórias, os policiais decidiram encaminhá-lo ao Distrito Policial para averiguação.

Juiz verdadeiro foi parar na delegacia

Enquanto Selmo era levado para averiguação, outra equipe da Polícia Militar foi até o endereço do verdadeiro magistrado, em São Caetano do Sul, e conseguiu localizá-lo.

O juiz compareceu à delegacia e confirmou sua identidade.

Ele também relatou que, recentemente, teria ocorrido uma tentativa de aquisição de um imóvel utilizando seu nome. A informação deverá ser apurada pelas autoridades competentes.

No 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo, um exame pericial datiloscópico, realizado por meio das impressões digitais, confirmou a identidade do homem abordado como Selmo dos Santos Pereira.

Ou seja: a digital não entrou na encenação.

Procurado pela Justiça

Após a identificação, a situação ficou ainda mais complicada.

Segundo as informações registradas na ocorrência policial, Selmo dos Santos Pereira possuía 78 processos e 34 inquéritos.

Desses inquéritos, 22 estavam relacionados ao artigo 171 do Código Penal, que trata do crime de estelionato.

Também foi constatado que havia contra ele uma ordem de prisão vigente por esse crime.

Selmo está detido e permanece à disposição da Justiça.

A ocorrência foi registrada como uso de documento falso, previsto no artigo 304 do Código Penal, e recaptura de procurado.

O caso foi apresentado à Polícia Civil para as providências de polícia judiciária.

Resumindo o caso

O que começou com uma abordagem de trânsito terminou com a descoberta de uma identidade falsa e de um homem que já era procurado pela Justiça.

Selmo teria apresentado um documento adulterado, usado o nome de um juiz verdadeiro e afirmado ocupar o cargo de magistrado e ainda dar aulas em uma faculdade de Direito.

No fim, a investigação descobriu que ele era estudante de Direito, tinha 78 processos, 34 inquéritos e uma ordem de prisão vigente relacionada a estelionato.

A lição para quem estuda Direito? Conhecer a lei é uma coisa. Tentar bancar o personagem de uma autoridade é outra completamente diferente.

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