Não é Medicina: a nova queridinha dos salários altos é a Inteligência Artificial

Com salários que podem passar dos R$ 27 mil, graduação em IA ganha espaço com mercado aquecido, falta de especialistas e avanço acelerado da tecnologia

Durante décadas, falar em faculdade com potencial de salário alto quase automaticamente fazia aparecer duas opções na conversa: Medicina e Odontologia.

Só que o mercado de trabalho de 2026 resolveu atualizar a lista.

A bola da vez é a Inteligência Artificial (IA). Com empresas de tecnologia, bancos, indústrias e varejistas investindo cada vez mais em automação e sistemas inteligentes, profissionais especializados na área passaram a ocupar algumas das posições mais valorizadas do mercado.

E não estamos falando apenas de “saber conversar com o ChatGPT”, viu?

Segundo o Guia Salarial da Robert Half, um engenheiro de Inteligência Artificial pode receber entre R$ 19,5 mil e R$ 27,1 mil por mês no Brasil. Para profissionais com experiência intermediária, a referência chega a aproximadamente R$ 25 mil mensais.

Ou seja: a tecnologia não está apenas mudando o mercado. Está também mudando a lista de profissões que fazem os olhos brilharem na hora de falar de salário.


IA abre caminho para várias carreiras

Se você está imaginando que uma graduação em Inteligência Artificial serve apenas para aprender a usar chatbots, geradores de imagens e outras ferramentas, pode esquecer.

A formação envolve uma base bem mais ampla, com conteúdos como:

  • programação;
  • algoritmos e estruturas de dados;
  • matemática e estatística;
  • aprendizado de máquina;
  • redes neurais;
  • processamento de dados;
  • sistemas inteligentes;
  • automação.

Depois da formação, o estudante pode seguir diferentes caminhos profissionais, incluindo atuação como engenheiro de IA, especialista em machine learning, cientista de dados ou profissional responsável pelo desenvolvimento de modelos inteligentes.

E existe um motivo para tantas portas estarem se abrindo: as empresas estão contratando.

Um levantamento da PwC mostrou que a contratação de profissionais com competências em IA no Brasil quase triplicou entre 2024 e 2025. A participação dessas vagas no mercado passou de 1,1% para 3,6%.

Então, sim: aquela tecnologia que parecia coisa de filme futurista está ocupando vaga de emprego no presente.


Goiás já tem graduação específica na área

Para quem mora em Goiás e quer entrar diretamente nesse universo, existe uma opção pública voltada especificamente para a área.

A Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, oferece o Bacharelado em Inteligência Artificial.

O curso foi criado em 2019 e recebeu sua primeira turma em 2020. A graduação combina conteúdos de computação e matemática e prepara os estudantes para desenvolver sistemas embarcados, soluções autônomas e outras aplicações da tecnologia.

A formação tem duração prevista de oito semestres e é oferecida pelo Instituto de Informática, no Campus Samambaia.

E a valorização da área não aparece apenas depois do diploma.

Segundo a própria UFG, estudantes das primeiras turmas desenvolveram projetos comerciais ainda durante a faculdade. Além disso, o curso registrou a maior nota de corte da universidade no SiSU de 2025, superando Medicina.

Sim, você leu certo: superando Medicina.


Mas calma: o diploma não imprime dinheiro

Antes de abandonar tudo e correr para procurar a inscrição em IA, vale colocar os dois pés no chão.

Os salários citados são referências de mercado e não significam que todo recém-formado vai começar ganhando R$ 20 mil ou mais.

Experiência profissional, domínio técnico, localização, empresa e especialização interferem diretamente na remuneração.

Ou seja, não basta ter “Bacharelado em Inteligência Artificial” escrito no currículo e esperar o salário cair do céu. A formação é importante, mas as competências desenvolvidas ao longo da carreira também pesam — e bastante.

Ainda assim, para quem gosta de tecnologia e procura uma graduação com potencial de salários elevados e forte perspectiva de crescimento, a Inteligência Artificial ganhou espaço entre as formações mais promissoras dos próximos anos.

A faculdade pode ser relativamente nova. O mercado, definitivamente, já percebeu que ela chegou.

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