O Fies pode passar por uma reformulação caso a proposta apresentada pelo pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, avance.
O plano de governo, chamado “Para o Brasil Vencer o Atraso”, prevê a substituição progressiva do atual Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) por um modelo de Empréstimo Contingente à Renda voltado para estudantes universitários.
A proposta deve ser apresentada pelo candidato durante uma live marcada para as 19h desta quinta-feira (13).
A ideia é só começar a pagar depois de conseguir emprego
Pela proposta, o estudante não precisaria começar a pagar o financiamento imediatamente após concluir a graduação.
O pagamento seria iniciado apenas quando o profissional estivesse formalmente inserido no mercado de trabalho. Além disso, o valor das parcelas seria calculado de forma proporcional aos rendimentos do graduado.
Na prática, a lógica seria diferente de assumir uma parcela fixa independentemente da situação financeira.
Ou seja: terminou a faculdade, ainda está procurando emprego e a conta bancária está naquele modo “visualização apenas”? Pela proposta, não haveria cobrança enquanto não existisse uma renda formal.
E o ensino médio também entra na proposta
A reformulação não ficaria restrita ao ensino superior.
O plano também prevê a ampliação do ensino técnico no ensino médio, com participação do setor produtivo. A proposta é permitir que empresas apoiem programas de formação e ofereçam bolsas voltadas para áreas que tenham demanda real por profissionais.
Entre os conteúdos que poderiam ser integrados à formação estão:
- inteligência artificial;
- robótica;
- tecnologia;
- educação financeira;
- empreendedorismo;
- competências relacionadas à economia digital.
A ideia apresentada é aproximar a formação dos estudantes das necessidades do mercado de trabalho.
Proposta também mira o primeiro emprego
O plano ainda inclui medidas voltadas ao mercado de trabalho.
Uma delas prevê contratos com menor custo sobre a folha de pagamento para jovens de 18 a 24 anos no primeiro emprego.
Também são citados modelos de contratação considerados mais atrativos para trabalhadores com mais de 50 anos que estejam desempregados há pelo menos 12 meses.
Além disso, a proposta inclui:
- criação de um banco nacional de vagas conectado aos departamentos de RH das empresas;
- desburocratização para abertura de negócios;
- expansão de crédito para microempresas por meio da Caixa Econômica Federal;
- retomada do programa Casa Verde e Amarela, com meta de 2,5 milhões de moradias.
O que isso significa para quem depende do financiamento estudantil?
Por enquanto, é importante separar proposta de governo de mudança efetivamente implementada.
O texto apresentado prevê uma transformação progressiva do modelo atual do Fies para um sistema no qual o pagamento estaria ligado à renda do profissional depois da formação.
Para quem está na faculdade ou pretende ingressar no ensino superior usando financiamento, o ponto principal é acompanhar a evolução da proposta e as regras que eventualmente sejam apresentadas.
Porque entre “vamos reformular o Fies” e “o sistema mudou de verdade” existe aquele pequeno detalhe chamado aprovação, regulamentação e implementação.