Se você está de olho no FIES para tentar financiar a graduação no segundo semestre de 2026, tem movimentação importante nos bastidores. O Ministério da Educação (MEC) publicou o edital que abre o processo de adesão das instituições de ensino interessadas em oferecer vagas pelo programa.
Traduzindo do burocratês para o português universitário: agora é a vez das faculdades organizarem a casa para que os estudantes possam disputar vagas financiadas nos próximos meses.
De acordo com o Edital nº 40/2026, publicado nesta segunda-feira (8), as mantenedoras das instituições de educação superior terão até o dia 15 de junho para concluir todos os procedimentos de adesão ao processo seletivo do FIES referente ao segundo semestre de 2026.
Todo o processo deverá ser realizado exclusivamente pelo Sistema Informatizado do FIES (SisFies), por meio do módulo FiesOferta.
O que as faculdades precisam informar?
As instituições interessadas deverão preencher uma série de informações para cada curso, turno e local de oferta.
Entre os dados exigidos estão:
- Valores das mensalidades e semestralidades do curso;
- Forma de reajuste dos valores ao longo da graduação;
- Informações sobre processos seletivos próprios;
- Quantidade de vagas ofertadas.
Além disso, cada proposta deverá respeitar o mínimo de seis vagas por curso para participação no programa.
Ou seja, antes de os estudantes começarem a disputar as vagas, as faculdades precisam informar exatamente o que estão colocando na mesa.
Assinatura eletrônica será obrigatória
Após o preenchimento das informações, o representante legal da mantenedora deverá assinar eletronicamente o termo de participação.
A assinatura será realizada diretamente no módulo FiesOferta, utilizando os perfis de acesso autorizados pelo sistema.
O MEC também destacou que os dados cadastrados no sistema precisam estar compatíveis com as informações registradas no Cadastro e-MEC. Em outras palavras: não adianta deixar cadastro desatualizado e depois culpar o Wi-Fi.
Cursos de Medicina terão atenção especial
Uma das novidades desta edição envolve os cursos de Medicina.
O MEC informou que utilizará os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025 para aplicar medidas cautelares previstas em portarias regulatórias publicadas em março deste ano.
Na prática, cursos que apresentaram desempenho considerado insatisfatório poderão sofrer restrições relacionadas à oferta de vagas pelo programa.
O que mostrou o Enamed 2025?
Segundo análise divulgada pelo MEC em parceria com o Ministério da Saúde, o Enamed 2025 avaliou 304 cursos de Medicina de instituições públicas e privadas.
Os resultados apontaram que:
- 204 cursos alcançaram conceitos entre 3 e 5 no Enade, considerados satisfatórios;
- 99 cursos receberam conceitos 1 ou 2;
- Nesses casos, menos de 60% dos estudantes apresentaram desempenho considerado adequado na avaliação.
Por causa desses resultados, o MEC anunciou medidas de supervisão e acompanhamento para as graduações que apresentaram desempenho abaixo do esperado.
Afinal, o que é o FIES?
Criado pela Lei nº 10.260, de julho de 2001, o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) tem como objetivo ampliar o acesso ao ensino superior para estudantes que não conseguem arcar integralmente com os custos da graduação.
O programa financia cursos presenciais com avaliação positiva no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes).
Desde 2018, o FIES passou a oferecer juros reais zero para estudantes que se enquadram nos critérios de renda estabelecidos pelo programa, além de utilizar uma escala de financiamento que varia de acordo com a situação socioeconômica do candidato.
Agora, com a publicação do edital de adesão, começa oficialmente a preparação para mais uma seleção do programa. Enquanto as faculdades correm para cadastrar vagas até 15 de junho, milhares de estudantes seguem naquela tradicional mistura de esperança, ansiedade e atualização compulsiva de páginas do governo.