Quando se fala em Direito, a imagem que costuma vir à cabeça é quase sempre a mesma: pilhas de papel, carimbos, filas intermináveis e processos que parecem nunca acabar. Mas será que essa visão ainda faz sentido?
A resposta curta é: não mais.
Com Inteligência Artificial, programação, audiências virtuais e análise de dados, o Direito entrou definitivamente na era digital — e quem ainda insiste em ignorar isso corre o risco de ficar para trás.
O novo Direito: mais digital, mais rápido
A profissão jurídica vem passando por uma transformação profunda, acelerada principalmente pela pandemia. O que antes era visto como “tendência” virou necessidade: advogados em home office, audiências on-line, atendimentos remotos e reuniões por videoconferência passaram a fazer parte da rotina.
Ferramentas como Inteligência Artificial, Big Data e automação jurídica deixaram de ser novidade e começaram a assumir funções estratégicas: análise de contratos, elaboração de peças, pesquisa jurisprudencial, plataformas de resolução de conflitos on-line e muito mais.
Segundo pesquisa realizada pelo CESA em parceria com a AB2L, 94% dos escritórios analisados tiveram queda de demanda entre 20% e 70% durante o período de isolamento social. Isso obrigou o mercado jurídico a se reinventar — rápido.
O impacto da tecnologia na advocacia
Mesmo antes da pandemia, a advocacia já sentia os efeitos da transformação digital. Ferramentas de IA, softwares de automação documental e algoritmos aplicados à análise de dados jurídicos começaram a mudar não só a forma de trabalhar, mas também o perfil do profissional mais valorizado pelo mercado.
De acordo com Leone Pereira, os principais benefícios do ambiente digital são a maior celeridade dos processos, mais eficiência e uma capacidade muito maior de pesquisa e comparação de julgados. O ponto negativo? A redução do contato humano e da percepção emocional em alguns casos.
Ainda assim, o saldo é claramente positivo.
Advocacia 5.0: o advogado do presente (e do futuro)
No contexto da chamada Advocacia 5.0, não basta dominar leis, códigos e jurisprudência. É fundamental que o advogado:
- conheça profundamente sua área de atuação;
- saiba dialogar com outras áreas do conhecimento;
- entenda, ao menos o básico, sobre tecnologia, dados e inovação.
Como explica Leone Pereira:
“É fundamental que o advogado conheça bem sua área de especialidade e dialogue com as outras, sem esquecer do conhecimento sobre a tecnologia”.
O desafio ainda é a adoção
Apesar do crescimento do Direito Digital, os números mostram que a adoção ainda é tímida. Apenas 22% dos escritórios entrevistados pela pesquisa da CESA e AB2L utilizam soluções oferecidas por lawtechs e legaltechs, como ferramentas de IA ou servidores em nuvem.
Os escritórios que já tinham uma estrutura mais digitalizada conseguiram atravessar o período com menos impacto. Já a maioria precisou correr contra o tempo para adaptar processos, digitalizar arquivos, migrar atendimentos e reorganizar fluxos de trabalho.
Então… Direito pode ser digital?
Pode, deve — e já é.
O Direito continua sendo uma profissão tradicional, mas agora vive uma nova fase: mais tecnológica, mais dinâmica e muito mais conectada com o mundo real. Para quem está se formando ou pensando em seguir carreira jurídica, entender esse movimento deixou de ser diferencial. Virou requisito.
Se o futuro é digital, o Direito não ficou de fora. E o advogado que entender isso primeiro sai vários passos à frente.