O estudante de Direito que virou “juiz” por alguns minutos e acabou preso

Selmo dos Santos Pereira foi abordado em São Bernardo do Campo e teria apresentado documento adulterado com o nome de um magistrado; consulta revelou 78 processos, 34 inquéritos e uma ordem de prisão por estelionato

Tem dia em que a pessoa acorda e pensa: “Hoje eu vou exercer uma profissão que ainda nem tenho”.

Foi mais ou menos isso que, segundo a ocorrência policial, aconteceu com o estudante de Direito Selmo dos Santos Pereira. Ele foi preso na noite desta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, em São Bernardo do Campo/SP, após se apresentar como juiz durante uma abordagem da Polícia Militar.

De acordo com informações divulgadas pelo g1, o homem teria apresentado um documento com sinais de adulteração em nome de um magistrado e afirmado atuar na 3ª Vara Criminal de Santo André/SP.

A tentativa de sustentar a história, porém, durou pouco.

A abordagem que começou a desmontar a história

Segundo o registro da ocorrência, policiais do 6º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano realizavam patrulhamento por volta das 21h20 quando perceberam um veículo trafegando em velocidade considerada incompatível com a via.

Os agentes decidiram abordar o motorista.

Durante a vistoria, nenhum objeto ilícito foi encontrado. Até aí, tudo relativamente normal.

O problema apareceu no momento da identificação.

O documento apresentado pelo motorista chamou a atenção dos policiais por apresentar, segundo a ocorrência, sinais de adulteração.

Questionado, ele disse se chamar Jarbas Luiz dos Santos e afirmou ser juiz de Direito da 3ª Vara Criminal de Santo André/SP.

E não parou por aí: também teria declarado que dava aulas na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo.

Só que a história começou a desandar ali mesmo.

Uma motorista que passava pelo local reconheceu o homem e o cumprimentou. Quando questionada pelos policiais, ela teria informado que ele era, na verdade, estudante de Direito da instituição, e não professor.

Aí ficou difícil manter a versão inicial.

Diante da divergência, os policiais encaminharam o motorista ao distrito policial para averiguação.

O verdadeiro juiz apareceu na delegacia

Enquanto a identidade do homem era investigada, outra equipe da Polícia Militar foi atrás do verdadeiro magistrado em São Caetano do Sul/SP.

Segundo o g1, o juiz foi localizado e compareceu à delegacia, onde confirmou sua identidade.

Ele também relatou que seu nome teria sido utilizado recentemente em uma tentativa de aquisição de imóvel.

A circunstância ainda deverá ser investigada pelas autoridades.

No 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo, uma identificação por impressões digitais revelou que o homem abordado era, de fato, Selmo dos Santos Pereira.

Ou seja: na dúvida entre documento e biometria, a digital resolveu a discussão.

Consulta revelou 78 processos e 34 inquéritos

E a situação ficou ainda mais complicada depois da identificação.

A consulta aos registros apontou que havia contra Selmo uma ordem de prisão em vigor por estelionato.

Segundo as informações da ocorrência reproduzidas pelo g1, ele possuía:

  • 78 processos;
  • 34 inquéritos;
  • 22 inquéritos relacionados ao artigo 171 do Código Penal, que trata do crime de estelionato.

Ou seja, a abordagem que começou por causa da velocidade do veículo acabou revelando que o motorista já era procurado pela Justiça.

Caso foi registrado como uso de documento falso

O caso foi registrado como uso de documento falso, previsto no artigo 304 do Código Penal, e recaptura de procurado.

Selmo permaneceu detido e à disposição da Justiça.

A ocorrência também envolve a suspeita de utilização da identidade do verdadeiro juiz, que relatou a tentativa de aquisição de um imóvel em seu nome. Essa situação deverá ser apurada pelas autoridades.

No fim das contas…

A pessoa pode até estudar Direito, conhecer termos jurídicos e tentar impressionar durante uma abordagem.

Mas se apresentar como juiz usando documento adulterado é outro nível de “prova prática”.

E, neste caso, a prática terminou com prisão, identificação por impressões digitais e a descoberta de uma ordem de prisão vigente por estelionato.

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