José Israel Hernández Chávez conciliou quatro anos de faculdade com jornadas de até 18 horas na coleta de lixo para financiar a graduação em Direito no México.
José Israel Hernández Chávez tinha 21 anos quando segurou o diploma de Direito pela primeira vez. Mas, em vez de escolher um cenário superproduzido para registrar o momento, ele voltou para um lugar que esteve presente em praticamente toda a sua trajetória acadêmica: o caminhão de coleta de lixo.
Vestido com beca e capelo, o jovem foi até o veículo em Matamoros, no México, e posou ao lado dele. Afinal, se alguém participou ativamente do pagamento dessa faculdade, nada mais justo do que aparecer na foto, né?
O diploma veio após quatro anos conciliando as aulas na Universidade de Matamoros com o trabalho no Departamento de Limpeza Pública da cidade.
Quatro anos entre aulas e coleta — porque aparentemente uma rotina normal era pedir demais
A rotina de José Israel começava às 6h, quando ele saía para assistir às aulas. Depois, era hora de trocar os materiais da faculdade pelo uniforme de trabalho e subir no caminhão para percorrer diferentes bairros de Matamoros.
O expediente seguia até aproximadamente meia-noite.
Na prática, entre aulas, deslocamentos e trabalho, a jornada podia chegar a 18 horas por dia, sem contar o tempo necessário para voltar para casa.
Sol, chuva e vento também faziam parte do pacote. Além do esforço físico exigido pela coleta de lixo, ainda era preciso encontrar disposição para continuar estudando depois de passar boa parte do dia trabalhando nas ruas.
O emprego no serviço de limpeza pública foi fundamental para que José Israel conseguisse financiar sua formação universitária. Ele começou a trabalhar antes de iniciar o curso e permaneceu na função durante os quatro anos da graduação.
Ou seja: enquanto muita gente reclamava que uma prova tinha sido marcada para 7h da manhã, ele já estava construindo a própria graduação em uma rotina que começava às 6h e podia terminar perto da meia-noite.
O diploma foi parar exatamente onde deveria
Depois da cerimônia de formatura, José Israel fez questão de mostrar que o caminhão não era apenas parte do cenário profissional, mas também da história por trás daquele diploma.
Ainda usando a beca, ele voltou ao pátio da limpeza pública e segurou o documento ao lado do veículo.
Familiares, amigos, a namorada e colegas de trabalho também participaram das fotografias. Os registros reuniram algumas das pessoas que acompanharam de perto os anos em que o jovem precisou dividir o tempo entre estudos e trabalho.
Em uma das imagens, ele aparece com a família diante de um caminhão identificado com a marca do município. Em outra, posa ao lado dos colegas que compartilhavam com ele as rotas de coleta.
As fotos foram publicadas no Facebook e ganharam repercussão nas redes sociais, passando a circular entre usuários e veículos da imprensa mexicana.
Agradecimento para quem esteve junto na missão
Ao compartilhar os registros da formatura, José Israel agradeceu aos pais, às irmãs, à namorada, aos amigos e aos colegas de trabalho pelo apoio durante a graduação.
O jovem também destacou o esforço necessário para chegar até aquele momento. Para ele, a conclusão do curso representava o resultado de anos de dedicação, disciplina e constância.
E o cenário escolhido para as fotos deixou essa mensagem ainda mais clara.
Em vez de simplesmente mostrar o diploma de Direito, José Israel decidiu colocá-lo ao lado do caminhão que fez parte da rotina responsável por financiar seus estudos.
Porque, convenhamos: o diploma conta onde ele chegou. O caminhão conta uma boa parte de como ele chegou lá.
E agora? O próximo destino é a área jurídica
Mesmo depois de concluir o curso de Direito, José Israel continuou trabalhando como coletor de lixo no Departamento de Limpeza Pública de Matamoros.
O objetivo agora é buscar uma oportunidade na área jurídica e construir uma carreira no sistema judiciário.
Até que essa oportunidade apareça, ele mantém o emprego que ajudou a pagar sua formação e que esteve presente durante os quatro anos da graduação.
Por enquanto, a rotina continua envolvendo ruas e caminhão de coleta. A diferença é que, depois de quatro anos conciliando trabalho e faculdade, José Israel agora também carrega um diploma de Direito conquistado em meio a jornadas que começavam cedo e terminavam perto da meia-noite.
E talvez essa seja a parte mais simbólica da história: o caminhão que ajudou a pagar a faculdade agora aparece ao lado do resultado de todo aquele esforço.