Aos 51, ela trocou o mercado financeiro pela Medicina — e passou em 4 vestibulares de uma vez

Depois de 15 anos no mercado financeiro, Renata Reis decidiu mudar completamente de rota, prestou quatro vestibulares de Medicina em uma única tentativa e foi aprovada em todos

Mudar de carreira já dá aquele frio na barriga. Agora imagine fazer isso aos 51 anos, depois de uma graduação em História, cerca de 15 anos de experiência no mercado financeiro e até uma formação em Enologia. Pois é. Renata Alves Terra Reis decidiu que aparentemente uma mudança de rota não era suficiente.

Hoje, aos 51 anos, ela está no sexto semestre de Medicina da Unibh Vespasiano e vive uma fase completamente diferente da trajetória profissional que construiu ao longo da vida.

Nascida em Cordisburgo, Minas Gerais, cidade conhecida também por ser terra de Guimarães Rosa, Renata nunca tinha planejado seguir carreira na área da saúde. Sua formação inicial foi em História e, depois, ela passou aproximadamente 15 anos trabalhando no mercado financeiro.

Além disso, participou do 10.000 Women, programa global criado em 2008 pelo banco de investimentos Goldman Sachs, e cursou Enologia por paixão pelo universo dos vinhos.

Até que a Medicina entrou no roteiro. E, dessa vez, não como uma simples curiosidade.

O incentivo veio de dentro de casa

A mudança de carreira começou a ganhar força por influência do filho, João Pedro Terra Reis, que está no último ano de Medicina na mesma instituição.

Renata acompanhava de perto a rotina acadêmica do filho: provas, disciplinas, dificuldades e conquistas. Como toda mãe curiosa, fazia perguntas e queria entender melhor aquele universo.

Até que João Pedro resolveu inverter o jogo e sugeriu que ela própria experimentasse aquela realidade.

Renata aceitou o desafio, mas colocou uma condição bastante objetiva: prestaria vestibular apenas uma vez.

Nada de passar anos em cursinhos, refazer prova infinitamente ou transformar a preparação em uma série com 12 temporadas.

Ela escolheu quatro instituições que considerava viáveis para sua realidade e prestou os quatro vestibulares.

Resultado: aprovação nos quatro.

Uma decisão que envolveu toda a família

Quando recebeu a notícia das aprovações, Renata contou primeiro para o marido, o filho e a mãe. A mãe, inclusive, ficou bastante emocionada com a novidade.

Mas a decisão de começar Medicina aos 51 anos não era simples.

Renata já tinha uma carreira consolidada, uma família e responsabilidades financeiras. Por isso, a escolha da instituição também levou em consideração a possibilidade de conciliar a graduação com os demais compromissos.

A estrutura da faculdade e o projeto pedagógico tiveram peso importante na decisão.

Ela também escolheu estudar na mesma instituição do filho. Além de poder dividir essa experiência com ele, Renata queria continuar mostrando, como mãe, que é possível aprender, mudar de direção e encarar novos desafios em diferentes momentos da vida.

Basicamente: nunca é tarde para atualizar o currículo — e, no caso dela, a atualização foi para uma profissão completamente nova.

Recomeçar também significa aprender a estudar de outro jeito

Entrar na Medicina trouxe uma adaptação profunda.

A metodologia de ensino, o uso de tecnologia e o ritmo da graduação fizeram Renata mudar a maneira como estudava. Acostumada a um modelo mais tradicional, precisou lidar com uma quantidade maior de conteúdo e com uma velocidade diferente de aprendizado.

E veio uma descoberta importante: ela também precisaria aprender a respeitar os próprios limites.

Em determinado momento da graduação, Renata se cobrou tanto que acabou adoecendo. A experiência fez com que ela passasse a buscar uma relação mais equilibrada com as exigências do curso.

Porque, aparentemente, até a pessoa que conseguiu passar em quatro vestibulares de Medicina de uma vez precisa lembrar que ninguém ganha prêmio por estudar até o cérebro pedir demissão.

Apesar das dificuldades, algumas experiências reforçaram que a escolha fazia sentido.

O contato com os pacientes foi uma delas. Em algumas situações, pessoas que acompanhavam seus atendimentos chegaram a dizer que ela “nasceu para isso”.

Para Renata, existe uma diferença importante entre simplesmente decidir que quer ser médica e descobrir, na prática, que existe identificação verdadeira com o papel.

“Uma coisa é você decidir que quer ser médica. Outra é começar a vivenciar o contato com o paciente e perceber que existe uma identificação verdadeira com aquele papel.”

Um novo capítulo — agora na Medicina

Depois de construir uma carreira antes de chegar à graduação, Renata quer aproveitar os anos que terá para exercer a profissão.

Ela ainda não definiu qual especialidade pretende seguir, mas demonstra interesse pelas áreas de emergência e tratamento da dor.

O objetivo é se tornar uma médica humana e dedicada, aliando conhecimento e competência técnica à atenção à pessoa que existe por trás de cada paciente.

Para quem pensa em seguir Medicina, Renata reforça que é importante entender que a profissão envolve muito mais do que passar no vestibular. É uma área que exige estudo, dedicação, cuidado e capacidade de adaptação.

E a trajetória dela deixa uma mensagem bem direta: carreira não precisa ser uma linha reta.

Às vezes, você passa anos em uma área, descobre uma nova paixão e decide começar praticamente do zero. E, aparentemente, começar aos 51 também funciona.

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