Aos 53 e aos 20, pai e filha dividem faculdade, estágio e descobrem que aprender é uma via de mão dupla

Robson decidiu mudar de carreira na área de tecnologia. Lídia, sua filha, acabou virando também sua parceira de faculdade e estágio — porque aparentemente estudar junto ainda não era suficiente.

Ingressar na universidade já representa uma mudança importante. Fazer isso aos 53 anos, enquanto se prepara para uma nova carreira, pode parecer um desafio ainda maior.

Para Robson Lisboa, porém, a transformação ganhou um significado especial: ele passou a viver essa nova fase ao lado da filha, Lídia, de 20 anos.

Os dois são estudantes de Ciência da Computação no Instituto Federal da Bahia (IFBA) e também dividem a rotina profissional como estagiários da Continental Pneus, em Camaçari.

No Dia do Estagiário, celebrado em 18 de agosto, a história dos dois mostra que aprendizado, troca de experiências e recomeços definitivamente não vêm com prazo de validade.

Um sonho antigo que virou recomeço profissional

A decisão de Robson começou com um sonho que estava guardado havia algum tempo.

Depois de anos trabalhando na área de tecnologia e acumulando diferentes formações técnicas, ele decidiu finalmente cursar uma graduação.

Havia também uma motivação familiar: Robson queria incentivar o filho mais velho a entrar na faculdade.

Só que a vida resolveu adicionar um plot twist nessa história.

Pouco tempo depois, ele também teria a filha como companheira nessa jornada.

Lídia ingressou no curso de Ciência da Computação e os dois passaram a dividir muito mais do que a rotina familiar: provas, trabalhos, disciplinas e, em alguns momentos, a mesma sala de aula.

Primeiro foi ele quem ensinou. Depois, os papéis se inverteram

Como Robson entrou na graduação um semestre antes, acabou assumindo naturalmente o papel de guia da filha durante os primeiros meses da faculdade.

“As dicas dele me ajudaram bastante e, agora que cursamos várias disciplinas juntos, um apoia o outro o tempo todo”, conta Lídia.

Mas essa relação de aprendizado não ficou presa à lógica tradicional de “pai ensina, filha aprende”.

Com o passar do tempo, os papéis começaram a se alternar.

Quando Robson iniciou uma nova etapa profissional, foi Lídia quem passou a ajudá-lo nos primeiros passos.

Porque, aparentemente, a faculdade decidiu transformar a relação entre os dois em um trabalho em grupo permanente.

Quando a filha vira quem ensina

A inversão de papéis ficou ainda mais evidente na Continental Pneus.

Lídia começou o estágio na empresa cerca de um ano antes do pai e foi ela quem o apoiou durante os primeiros passos nesse novo ambiente profissional.

Embora os dois estejam em áreas diferentes, o trabalho acabou se tornando mais um espaço para troca de experiências.

Para Lídia, ajudar o pai também representa uma forma de retribuir tudo o que aprendeu com ele ao longo da vida.

“Ele sempre me ensinou muito, e agora também pude ensinar um pouco para ele”, afirma.

Aos 53, Robson encara uma nova carreira em tecnologia

A experiência tem um significado especial para Robson.

Em processo de transição para a área de análise de dados, ele vê o estágio como uma porta de entrada para novas possibilidades profissionais.

E existe um desafio adicional: segundo ele, o mercado de trabalho nem sempre oferece as mesmas oportunidades para profissionais com mais de 50 anos.

“A gente sabe que o mercado muitas vezes se fecha para pessoas 50+. Ter a possibilidade de voltar a aprender e iniciar uma nova trajetória é muito significativo”, afirma.

Nesse contexto, o estágio representa muito mais do que uma experiência obrigatória ou uma linha nova no currículo.

É uma oportunidade de voltar a aprender, adquirir experiência e construir uma nova trajetória profissional.

Toda caminhada começa com o primeiro passo, e essa experiência já está contribuindo muito para minha formação e para novos caminhos no mercado de trabalho”, completa.

E convenhamos: começar uma nova carreira aos 53 exige uma dose considerável de coragem. Afinal, enquanto muita gente acha que aos 30 já deveria ter a vida profissional completamente resolvida, Robson decidiu atualizar o sistema e começar uma nova versão.

Duas gerações, uma mesma sala de aula

Enquanto Robson se prepara para novos desafios na área de dados, Lídia já pensa nos próximos passos da própria carreira.

Ela tem interesse em gestão e processos industriais e pretende continuar estudando. No futuro, planeja fazer uma pós-graduação na área.

“Saber que, com pequenas ações, você consegue melhorar toda uma indústria realmente me toca”, conta.

Os objetivos profissionais são diferentes, mas a experiência compartilhada mostra que os dois encontraram na faculdade e no estágio uma oportunidade de crescer juntos.

Quando pai e filha passam a aprender um com o outro

A história de Robson e Lídia ultrapassa os limites da universidade e do estágio.

Ela também representa uma mudança na própria dinâmica familiar.

Robson busca nos filhos referências para compreender um mercado profissional que passa por transformações constantes.

Lídia, por outro lado, passou a ocupar também o lugar de quem oferece apoio ao pai.

“Agora que cresci, consigo ajudar meu pai e dar liberdade para que ele busque novas áreas e oportunidades. Tenho muito orgulho de estar presente nesse momento e conseguir apoiá-lo, assim como ele sempre me apoiou”, afirma.

Aos 53 e 20 anos, Robson e Lídia descobriram que algumas das melhores lições acontecem justamente quando ensinar e aprender deixam de ser papéis fixos.

Na faculdade, no estágio e na vida, os dois seguem compartilhando a mesma descoberta:

recomeçar não significa voltar para trás. Às vezes, é exatamente o que você precisa fazer para avançar.

Deixe um comentário