Tem gente que só lembra do banco quando o boleto vence. Mas, desta vez, o Governo resolveu olhar justamente para quem faz o contrário: quem paga as contas em dia.
Nesta segunda-feira (29), foram anunciadas novas medidas para ampliar o acesso ao crédito e incentivar a adimplência no país. Entre as novidades estão o Desenrola Adimplentes, voltado aos trabalhadores informais, o Fies Empreendedor, destinado aos estudantes que estão pagando corretamente o financiamento estudantil, além de uma nova possibilidade de usar o FGTS como garantia em operações de crédito consignado.
A proposta é simples: premiar quem mantém um bom histórico financeiro com condições mais vantajosas de crédito. Afinal, já passou da hora de o bom pagador deixar de ser tratado como figurante nessa novela.
O que muda com as novas medidas?
As ações foram apresentadas por meio de uma Medida Provisória e fazem parte da ampliação das políticas de incentivo ao crédito e à adimplência.
Na prática, três novidades entram em cena:
- criação do Desenrola Adimplentes;
- lançamento do Fies Empreendedor;
- uso do saldo do FGTS como garantia para operações de Crédito do Trabalhador.
Cada programa atende um público diferente, mas todos seguem a mesma lógica: facilitar o acesso ao crédito para quem demonstra responsabilidade financeira.
Desenrola Adimplentes: crédito para quem trabalha por conta própria
Quem é autônomo sabe que conseguir crédito muitas vezes parece mais difícil do que explicar para a família o que realmente faz da vida.
Pensando nisso, o Governo criou o Desenrola Adimplentes, uma expansão do Novo Desenrola Brasil voltada para trabalhadores informais.
O programa busca reduzir o risco de inadimplência oferecendo condições mais favoráveis para quem:
- trabalha sem vínculo CLT;
- não é servidor público;
- não recebe aposentadoria ou pensão do INSS;
- mantém as obrigações financeiras em dia ou possui atrasos de até 90 dias.
Além de facilitar a reorganização financeira, a iniciativa inaugura uma linha de crédito subsidiada para um público que normalmente enfrenta juros elevados e menos opções de financiamento.
Quem poderá participar?
Poderão aderir trabalhadores que possuam uma operação de crédito pessoal ainda em andamento e que:
- tenham pago pelo menos quatro parcelas;
- estejam com os pagamentos em dia ou com atraso máximo de 90 dias;
- possuam dívida de até R$ 15 mil por instituição financeira.
A ideia é substituir a dívida atual por uma nova operação com condições melhores.
Quais serão as condições?
Entre os principais benefícios estão:
- taxa máxima de juros de 1,99% ao mês;
- prazo equivalente ao restante da dívida, podendo ser ampliado:
- até 1 mês para contratos com até 6 meses restantes;
- até 2 meses para contratos entre 6 e 12 meses;
- até 4 meses para contratos entre 12 e 24 meses;
- até 6 meses para contratos superiores a 24 meses;
- a nova parcela poderá representar, no máximo, 90% do valor da parcela original;
- possibilidade de contratar crédito adicional de até 50% do saldo devedor, desde que a prestação permaneça dentro do limite permitido;
- cobertura do Fundo Garantidor de Operações (FGO), que assume 50% das primeiras perdas da carteira e garante integralmente cada operação.
Fies Empreendedor: uma força para quem quer abrir o próprio negócio
Terminou a faculdade, está pagando o Fies certinho e sonha em empreender?
Então talvez essa novidade tenha sido feita pensando justamente em você.
O Fies Empreendedor cria uma linha de crédito exclusiva para estudantes e ex-estudantes que estão na fase de amortização do financiamento estudantil e mantiveram um bom histórico de pagamento.
Importante destacar: não existe perdão da dívida, desconto ou renegociação do contrato do Fies.
O objetivo é outro: oferecer recursos para que esses profissionais possam investir na abertura ou no crescimento do próprio negócio.
Quem poderá solicitar?
A linha será destinada a:
- pessoas físicas;
- pessoas jurídicas nas quais pelo menos um dos sócios seja beneficiário adimplente do Fies.
Para participar, será necessário ter pago as últimas 36 parcelas do Fies rigorosamente em dia, sem renegociações nesse período.
O Governo estima que existam aproximadamente 500 mil beneficiários adimplentes, sendo que entre 50 mil e 125 mil podem aderir imediatamente ao programa.
Quanto será possível financiar?
As condições anunciadas incluem:
Pessoa Física
- financiamento de até R$ 80 mil;
- prazo de até 60 meses;
- até 6 meses de carência;
- juros de 0,87% ao mês.
Pessoa Jurídica
- financiamento de até R$ 180 mil;
- prazo de até 96 meses;
- até 6 meses de carência;
- juros de 0,87% ao mês.
As operações terão garantia integral do Fundo Garantidor de Operações (FGO), além de cobertura equivalente a 60% das primeiras perdas da carteira.
Segundo o Governo, um empréstimo de R$ 80 mil nessa modalidade geraria aproximadamente R$ 26 mil em juros, enquanto um crédito pessoal tradicional poderia chegar a R$ 171 mil em juros.
Na prática, a economia estimada seria de cerca de R$ 145 mil.
FGTS poderá ser usado como garantia no Crédito do Trabalhador
Outra novidade anunciada foi a autorização para utilizar parte do saldo do FGTS como garantia nas operações de Crédito do Trabalhador.
A medida vale para trabalhadores com carteira assinada (CLT) e busca reduzir os riscos para as instituições financeiras, permitindo taxas menores.
Mas calma: ninguém vai mexer no seu FGTS sem autorização.
O uso da garantia será totalmente opcional.
Como vai funcionar?
Quem optar por utilizar parte do saldo do FGTS como garantia poderá contratar crédito com taxa máxima de 1,99% ao mês.
As regras incluem:
- contratação pela Carteira de Trabalho Digital (CTPS), com garantia que pode chegar a 100% do valor do crédito;
- contratação pelos canais próprios dos bancos, com garantia de até 50%.
Segundo o Governo, a proposta amplia o acesso ao crédito, reduz os juros e oferece mais segurança para quem precisa de financiamento sem recorrer às modalidades mais caras do mercado.
Vale a pena?
As novas medidas apostam em uma lógica diferente da tradicional: em vez de olhar apenas para quem já está endividado, elas também oferecem vantagens para quem mantém um bom histórico de pagamentos.
Se os programas vão funcionar exatamente como prometido, o tempo dirá. Mas, para quem trabalha por conta própria, paga o Fies sem atrasos ou busca crédito com juros menores, vale acompanhar as próximas regulamentações e verificar se atende aos critérios.