Não, isso não é episódio de série médica. É Brasil, 2026.
O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) resolveu medir a “febre” dos cursos de Medicina no país — e o diagnóstico não foi nada animador: mais de 30% das faculdades tiveram desempenho insuficiente. Spoiler nada agradável: teve erro em dengue, dor de cabeça e até prescrição de remédio. Sim, o básico do básico.
O Fantástico teve acesso às respostas da prova e mostrou onde os futuros doutores estão tropeçando feio — justamente em situações comuns do atendimento médico.
O que deu errado (e por que isso assusta)
Mais de 39 mil estudantes do último ano de Medicina fizeram o Enamed.
Resultado? Quase 13 mil acertaram menos de 60% da prova. Em bom português: reprovação coletiva.
E não foi por falta de questão cabeluda, não. O problema foi errar aquilo que qualquer médico recém-formado deveria dominar sem nem pensar duas vezes.
Dengue: comum no Brasil, confusa na prova
Uma das questões consideradas fáceis pelo Inep perguntava o que fazer diante de sintomas graves de dengue — febre alta, dores intensas e vômitos persistentes.
📌 Erro de 66% dos estudantes reprovados.
Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos do RJ, Alexandre Telles, isso é grave:
Mandar um paciente desses para casa pode significar evolução para uma dengue hemorrágica.
Ou seja: não é errinho de prova. É risco real.
Dor de cabeça que virou dor coletiva
Outro caso descrevia uma mulher de 55 anos com dor de cabeça persistente, alteração visual e cansaço.
A resposta correta? Um exame de sangue simples, para investigar inflamação nos vasos.
📌 65% erraram.
“Surpreende”, disse o sindicato. Surpreende mesmo — e preocupa.
Parkinson, prescrição e o famoso ‘chute clínico’
Teve também questão sobre doença de Parkinson, exigindo reconhecimento de sintomas e indicação correta de medicamentos.
📌 56% erraram os dois remédios indicados.
Detalhe: o Enamed não tem prova prática, mas cobra conhecimentos que deveriam estar sólidos em quem já atendeu pacientes.
E as faculdades? Algumas vão sentir no bolso
Segundo o Ministério da Educação, instituições com notas 1 e 2 no Enamed podem sofrer sanções, como:
- 🚫 Proibição de novas matrículas
- 📉 Redução de vagas
- 📋 Processos administrativos para corrigir falhas pedagógicas e estruturais
Spoiler: não vai ficar barato.
Alunos denunciam formação capenga
Victor Miranda, estudante da Unicid (nota 2), tirou 8,2 no Enamed, mas aponta problemas estruturais sérios:
- Falta de hospital-escola
- Estágios superlotados
- Pouca prática real
Segundo ele, isso reflete um problema maior: a mercantilização da Medicina.
Mensalidade de R$ 12 mil e nota 1
Na Faculdade de Medicina Estácio de Sá, em Angra dos Reis, a situação é ainda mais indigesta.
Leonardo Celestino paga quase R$ 12 mil por mês e estuda em uma instituição que recebeu nota 1, a pior do RJ. Ele relata:
- Professores acumulando várias disciplinas
- Falta de especialistas
- Pouco investimento no corpo docente
A faculdade respondeu dizendo que o Enamed, sozinho, não reflete a qualidade do curso e que recebeu nota 4 em outra avaliação.
Vem aí um “OAB da Medicina”?
O presidente do Conselho Federal de Medicina defende um exame obrigatório pós-formatura, o Profimed, para liberar o registro profissional.
Segundo ele, o projeto pode ser aprovado em fevereiro no Senado.
Já representantes das universidades privadas discordam, afirmando que o Enamed é apenas uma parte de um sistema de avaliação mais complexo.
Resumo rápido (e preocupante)
- 🧪 30% dos cursos de Medicina reprovados
- 🦟 Erros graves em dengue, dor de cabeça e prescrição
- 📉 Quase 13 mil alunos abaixo de 60% de acertos
- 🚨 MEC promete sanções
- 📝 Debate sobre exame obrigatório pós-formatura ganhou força
No fim das contas, o Enamed fez exatamente o que prometeu: mediu a temperatura.
O problema é que o termômetro apitou — e ninguém pode fingir que não ouviu.