MPF entra na sala e pede silêncio: cursos da Estácio, Unifacemp e Unime viram alvo de investigação

O Ministério Público Federal (MPF) decidiu olhar mais de perto (bem mais) alguns cursos de graduação oferecidos por instituições privadas na Bahia. Resultado? Biomedicina da Estácio e Medicina da Unifacemp e da Unime entraram oficialmente no radar da fiscalização.

As investigações foram instauradas no âmbito da Procuradoria da República na Bahia e formalizadas por três portarias publicadas nesta terça-feira (20), todas assinadas pelo procurador da República Edson Abdon Peixoto Filho. Sim, está tudo documentado, carimbado e com prazo.

🔬 Biomedicina da Estácio: estágio sob suspeita

A primeira portaria transforma um Procedimento Preparatório em um Inquérito Civil Público para apurar possíveis irregularidades no estágio curricular obrigatório do curso de Biomedicina do Centro Universitário Estácio da Bahia.

Segundo o MPF, o procedimento inicial foi aberto após denúncias sobre o cumprimento das exigências legais do estágio, etapa que, vale lembrar, é obrigatória para a conclusão do curso.

O problema é que o prazo do procedimento preparatório acabou e nem todas as informações solicitadas foram entregues. Tradução institucional: o MPF perdeu a paciência e decidiu aprofundar a investigação.

Com isso, foram determinadas medidas como:

  • Comunicação à 1ª Câmara de Coordenação e Revisão (CCR);
  • Adequação da ementa do procedimento;
  • Reiteração de ofícios que simplesmente não foram respondidos.

O prazo inicial do inquérito é de um ano, com possibilidade de prorrogação, porque investigação séria não se resolve em dois e-mails.

🩺 Medicina na mira: Unifacemp e Unime entram no acompanhamento

Além da Biomedicina, o MPF também instaurou dois Procedimentos Administrativos para acompanhar a qualidade dos cursos de Medicina, com base nas diretrizes da iniciativa EnsinaMED, voltada à fiscalização da formação médica no Brasil.

Os cursos analisados são:

  • Medicina da Unifacemp, em Santo Antônio de Jesus;
  • Medicina da Unime, em Lauro de Freitas.

Aqui, o foco não é uma denúncia pontual, mas um acompanhamento contínuo da qualidade do ensino, observando se as instituições cumprem o que manda a lei.

📚 Internato médico: obrigatório, pago e sob responsabilidade da faculdade

As portarias deixam claro que o objetivo é aprofundar a apuração sobre os internatos médicos, etapa obrigatória prevista nas Diretrizes Curriculares Nacionais.

O MPF reforça um ponto importante (e sensível):
👉 mesmo durante o internato, o estudante continua pagando mensalidade e não perde o vínculo com a instituição.

Por isso, as universidades têm a obrigação de garantir:

  • Formação prática adequada;
  • Supervisão efetiva;
  • Infraestrutura compatível;
  • Acompanhamento pedagógico contínuo.

Não é favor, é dever legal.

⚖️ Ensino privado pode existir — mas com regra

Nas duas portarias, o procurador destaca o óbvio que precisa ser repetido:
a educação é um direito constitucional, e o ensino superior privado, embora permitido, deve obedecer às normas gerais da educação nacional e passar por avaliações de qualidade do poder público.

Os atos determinam:

  • Autuação formal dos procedimentos;
  • Publicação oficial das decisões;
  • Cumprimento das diligências já definidas em despachos internos.

Assim como no inquérito da Biomedicina, o prazo inicial de acompanhamento também é de um ano.

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