Se você achou que a treta do Enamed ia acabar sem confusão… achou errado. O presidente do Inep, Manuel Palacios, garantiu que o resultado final do Enamed está certinho, apesar de universidades privadas baterem o pé dizendo que os dados divulgados estavam errados. Climinha de “não fui eu” instalado com sucesso.
Na primeira edição do Enamed, nada menos que 351 cursos de Medicina foram avaliados. O problema? Cerca de 30% deles tiveram desempenho considerado insatisfatório, ou seja: menos de 60% dos estudantes foram classificados como proficientes. Tradução livre: sinal amarelo piscando forte no MEC.
E não é só bronca moral, não. Esses cursos podem sofrer redução de vagas ou até perder acesso ao Fies, o famoso financiamento que salva muitos boletos universitários por aí.
📊 Enamed, Enade e o medo do conceito baixo
O resultado do Enamed entra direto na conta do conceito Enade, que vai de 1 a 5. Notas 1 e 2 são consideradas insuficientes pelo MEC — basicamente um “precisa melhorar urgentemente”.
Faculdades privadas, por meio de suas associações, questionaram os números divulgados e alegaram inconsistências na quantidade de estudantes considerados proficientes. Mas Palacios foi direto ao ponto (e sem pedir desculpa completa):
“Não tem qualquer problema, os resultados são válidos, estão corretos e não há qualquer intercorrência na publicação desses resultados.”
Ou seja: o resultado tá certo, confia.
🧮 Teve erro? Teve. Mas segundo o Inep, “não valeu”
Apesar da confiança, o presidente do Inep admitiu um erro interno — mas calma, segundo ele, foi um erro “que não interfere em nada importante” (confia mais um pouco):
“Houve um erro aqui no Inep desse quantitativo. Mas esse dado não foi utilizado para qualquer cálculo dos indicadores de qualidade dos cursos.”
Na prática, o problema foi uma prévia enviada às instituições, com números errados sobre alunos proficientes. Segundo o Inep, esse dado não foi usado para classificar os cursos, então segue o jogo.
🏛️ Faculdades não engoliram fácil
A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior não comprou essa versão sem questionar. Em nota, a entidade afirmou que o próprio MEC reconheceu inconsistências e defendeu uma apuração criteriosa, levantando a dúvida que não quer calar:
👉 Dá mesmo pra garantir que os conceitos divulgados estão corretos?
Spoiler: para eles, não dá.
⏰ Inep abre prazo pra contestação
Para tentar acalmar os ânimos, o Inep anunciou que vai abrir um prazo de cinco dias, a partir da próxima segunda-feira (26/1), para que as instituições:
- esclareçam dúvidas
- apresentem manifestações
- questionem o cálculo dos resultados
Se vai mudar alguma coisa? Aí já é outro capítulo dessa série chamada “Avaliação educacional no Brasil”.
Com informações da Agência Brasil.