O Ministério da Educação (MEC), via Capes, publicou no dia 16 de janeiro o Edital nº 2/2026, oficializando 12 mil vagas para o Pé-de-Meia Licenciaturas, dentro do programa Mais Professores para o Brasil. Traduzindo: o governo abriu a carteira para tentar tornar a carreira docente um pouco mais atraente — porque só vocação já não estava dando conta.
A iniciativa garante uma bolsa mensal de R$ 1.050. Desse valor, R$ 700 caem direto na conta e R$ 350 vão para uma poupança. O detalhe (sempre tem): essa poupança só pode ser sacada se o bolsista virar professor da rede pública em até cinco anos após concluir a licenciatura. Nada de “pegar o dinheiro e sumir”.
Quem pode participar (spoiler: não é pra todo mundo)
Para disputar uma das bolsas, o estudante precisa cumprir alguns requisitos bem objetivos — nada de interpretação criativa:
- Ter nota média simples igual ou superior a 650 pontos no Enem;
- Ter sido aprovado em um curso presencial de licenciatura por meio do:
- Sisu (prioridade máxima),
- Prouni,
- Fies;
- Após a aprovação no curso, manifestar interesse na bolsa pela Plataforma Freire, a partir de 17 de fevereiro.
Sem cumprir esse combo, não tem Pé-de-Meia.
Como funciona o pagamento da bolsa
Depois da inscrição:
- A Capes analisa e aprova os pedidos até o dia 20 de cada mês, a partir de março;
- As instituições de ensino cadastram os bolsistas até o dia 25;
- O pagamento começa até o quinto dia útil do mês seguinte ao cadastramento.
Ou seja: existe burocracia, mas ela segue um cronograma bem definido. Quem acompanha, recebe.
Licenciaturas no Sisu: muita vaga, pouco interesse
Em 2026, o Sisu está ofertando 73.630 vagas em licenciaturas presenciais. Os cursos com mais oportunidades são:
- Ciências Biológicas
- Pedagogia
- Matemática
- História
- Geografia
No total, o Sisu oferece mais de 274 mil vagas, distribuídas em 136 instituições — a maior edição da história em número de participantes. A inscrição é gratuita e acontece de 19 a 23 de janeiro, exclusivamente pelo Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.
Vaga tem. O desafio é convencer alguém a querer.
Por que o governo criou o Pé-de-Meia Licenciaturas?
O foco do programa é simples (e preocupante): atrair jovens com bom desempenho no Enem para a carreira docente. Hoje, a situação é crítica:
- Apenas 3% dos estudantes de 15 anos dizem querer ser professores, segundo o Pisa;
- A evasão nos cursos de licenciatura é alta:
- 53% em pedagogia;
- Até 73% em áreas como física, segundo o Inep.
Ou seja, se nada fosse feito, o país caminhava tranquilamente para um apagão de professores.
O impacto inicial do programa
Após o lançamento do Pé-de-Meia Licenciaturas, o número de estudantes matriculados em cursos presenciais de licenciatura com nota igual ou superior a 650 no Enem cresceu 60% em 2025, em comparação ao ano anterior.
Dinheiro pode não resolver tudo — mas claramente chamou atenção.
Mais Professores para o Brasil: o pacote completo
Criado pelo Decreto nº 12.358/2025, o programa Mais Professores para o Brasil reconhece (finalmente) o papel central dos docentes na educação básica. A proposta é fortalecer a formação, incentivar o ingresso no ensino público e valorizar quem escolhe a docência.
Além do Pé-de-Meia Licenciaturas, o programa inclui:
- Bolsa Mais Professores
- Portal de Formação
- Prova Nacional Docente
- Ações de valorização, como benefícios em bancos públicos e descontos em hotéis
No total, a iniciativa deve alcançar 2,3 milhões de docentes, impactando diretamente 47,3 milhões de estudantes em todo o país.
Resumo honesto: o MEC está tentando salvar a carreira docente com incentivo financeiro, regra clara e promessa de futuro. Se vai funcionar a longo prazo? Aí já é outra prova — e dessa vez, sem Enem pra treinar.