Com salários que podem chegar a R$ 40 mil, alguns concursos públicos não são difíceis só porque têm muita gente inscrita. O buraco é bem mais embaixo. A dificuldade real está na complexidade das provas, na quantidade absurda de etapas, no nível de cobrança surreal e, claro, naquele detalhe cruel: pouquíssimas vagas para uma multidão de candidatos.
Ou seja, não basta querer estabilidade. Tem que querer sofrer com método.
A seguir, cinco concursos que vivem sendo lembrados como os mais difíceis do Brasil — aqueles que fazem até concurseiro veterano repensar a vida:
Diplomacia (CACD – Instituto Rio Branco): o concurso que exige cérebro multilíngue
O Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), que forma os quadros do Itamaraty, é presença garantida em qualquer ranking de dificuldade. E não é por acaso. O número de vagas costuma ser ridiculamente baixo, em média cerca de 50 por edição, disputadas por milhares de candidatos altamente preparados.
As provas cobram disciplinas como Direito, História, Economia e Política Internacional, além de línguas estrangeiras — inglês, francês e espanhol (porque um idioma só seria fácil demais, né?). O processo seletivo inclui provas objetivas, dissertativas e avaliações pesadas de escrita e argumentação.
Atualmente, o salário inicial do cargo de Terceiro-Secretário é de R$ 22.558,56, podendo ultrapassar R$ 30 mil ao longo da carreira, segundo tabelas oficiais de progressão. Difícil entrar, mas o contracheque ajuda a esquecer o trauma.
Magistratura (Juiz Federal ou Estadual): o concurso que testa até sua alma
Os concursos para a Magistratura estão entre os mais longos e exaustivos do país. Aqui, não existe “passar raspando”. O candidato enfrenta prova objetiva, discursiva, prática de sentença, prova oral, além de investigação social e avaliação de títulos. Sim, eles checam tudo.
Os editais cobram uma maratona jurídica: Direito Constitucional, Penal, Civil, Processual, além de Ética Judicial. Em muitos concursos, parte das vagas nem chega a ser preenchida, porque os candidatos simplesmente não passam em todas as etapas.
O subsídio inicial de um juiz em início de carreira gira em torno de R$ 27 mil a R$ 28 mil, podendo alcançar o teto constitucional, hoje fixado em pouco mais de R$ 41 mil. Não é para qualquer um — literalmente.
Ministério Público (Promotor ou Procurador): dificuldade com poder de decisão
As carreiras do Ministério Público também figuram entre as mais difíceis de ingressar no Brasil. Os concursos costumam ter até cinco etapas eliminatórias e podem se estender por mais de um ano. É praticamente um relacionamento sério com o edital.
Promotores e procuradores atuam na fiscalização da lei, na defesa de direitos coletivos e na condução de investigações relevantes — e isso se reflete no nível de exigência das provas, tanto teóricas quanto práticas.
A remuneração inicial varia conforme o ramo e o estado, mas geralmente começa em R$ 30 mil, podendo ultrapassar R$ 32 mil em alguns Ministérios Públicos estaduais e no Ministério Público da União. Alta responsabilidade, alto salário… e altíssima cobrança.
Auditor-Fiscal da Receita Federal: onde números e leis se unem para te testar
Fora da área jurídica tradicional, o cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal é um dos mais temidos. O conteúdo programático é extenso, técnico e nada amigável, envolvendo Contabilidade, Direito Tributário, Auditoria, Administração Pública e Legislação Aduaneira.
Além da profundidade das matérias, a concorrência é pesada e o nível de preparação exigido é altíssimo. Não existe “estudar depois”, aqui é dedicação total.
A remuneração inicial do cargo gira atualmente em torno de R$ 29,9 mil, podendo ultrapassar R$ 36 mil com bônus de eficiência e progressões na carreira. Difícil? Muito. Mas o salário conversa bem com a dificuldade.
Consultor Legislativo (Senado Federal e Câmara dos Deputados): poucas vagas, pressão máxima
Os concursos para Consultor Legislativo, tanto no Senado Federal quanto na Câmara dos Deputados, estão entre os mais concorridos do serviço público. As seleções exigem domínio profundo de Direito Constitucional, processo legislativo, redação técnica e análise de políticas públicas.
O detalhe cruel? O número de vagas costuma ser extremamente reduzido, o que faz a concorrência disparar. Aqui, não basta ser bom — tem que ser excelente no dia da prova.
Resumo sincero
Esses concursos não são difíceis porque “todo mundo tenta”. Eles são difíceis porque exigem preparo real, longo prazo, saúde mental e muita resiliência. Se passar fosse fácil, o salário não seria esse — simples assim.