Escolher uma profissão nunca foi simples — e não, fazer um teste aleatório na internet às 3h da manhã não conta como decisão de carreira. Mas tudo fica um pouco menos caótico quando você vai atrás de informações reais, sem filtro do LinkedIn. É aí que entra a Engenharia de Petróleo, uma área que vem crescendo, chamando atenção de gente visionária (e que não foge de Exatas). Já ouviu falar ou só lembra dela quando o preço da gasolina sobe?
A profissão é regulamentada pelo Confea desde 1973 e segue firme como uma aposta interessante. Afinal, o petróleo continua sendo uma das principais matérias-primas da economia mundial. Spoiler: enquanto o mundo ainda gira, ele continua relevante.
E o salário? Sim, ele chama atenção. Mas calma, não é só glamour e dinheiro fácil. A rotina é puxada, o nível de cobrança é alto e o cérebro trabalha em modo turbo. A boa notícia é que muitas das habilidades exigidas são desenvolvidas nas melhores faculdades, inclusive na Estácio.
Para entender melhor essa realidade (sem romantizar demais), conversamos com Sheila Silva, Engenheira de Petróleo, Especialista em Auditoria e Perícia Ambiental, professora e coordenadora do curso na Estácio. Bora aos fatos?
A Engenharia de Petróleo e suas características
Se ainda restava alguma dúvida: Engenharia de Petróleo é Exatas com E maiúsculo. Matemática, Física e Química não são “detalhes do curso”, são praticamente seus melhores amigos (ou inimigos íntimos). Na grade, aparecem disciplinas como Termodinâmica, Mecânica dos Fluidos e Eletricidade — nada de sustos inesperados.
A própria Sheila já deixa o aviso bem direto:
“É uma Engenharia em que você utiliza muito os conceitos de Química Orgânica e Inorgânica. Então, é preciso uma habilidade natural com Exatas”.
E se você acha que todo engenheiro de petróleo trabalha automaticamente em uma plataforma no meio do oceano… calma lá. Isso é só uma parte da história. No Brasil, a maior produção realmente acontece no mar — principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo —, mas o campo de atuação vai muito além disso.
Como a engenheira explica:
“Dentro da cadeia produtiva do petróleo, a produção é apenas uma das etapas. Temos também pesquisa, perfuração de poço, transporte e beneficiamento da matéria-prima. Uma delas — a de produção — está no mar. No Nordeste, por exemplo, temos produção em terra”.
Além disso, a Engenharia de Petróleo permite atuação em diversas áreas especializadas. A faculdade entrega uma formação ampla, mas o caminho natural é se aprofundar depois, com pós-graduações e especializações.
A própria Sheila conta sua trajetória:
“Fiz Engenharia de Petróleo e, dentro da faculdade, já entendi que tinha afinidade com a área ambiental. Tive disciplinas sobre isso, mas também fui atrás de especialização”.
Entre as áreas possíveis estão: exploração e produção de hidrocarbonetos, refinarias de petróleo, processamento de gás natural e transporte de petróleo.
Os desafios e oportunidades da área
Se o interesse começou a crescer, ótimo — mas sem ilusões. O mercado de Engenharia é um dos mais estáveis, sim, porém não é para quem quer vida fácil. Uma exigência básica é o domínio de outro idioma, já que o contato com empresas estrangeiras e operações de importação e exportação é constante. Inglês aqui não é diferencial, é sobrevivência.
Outro ponto importante: a Engenharia de Petróleo é relativamente recente no Brasil. Por muito tempo, tudo girava em torno da Petrobrás — inclusive a formação dos profissionais.
Sheila explica:
“A Petrobrás contratava engenheiros mecânicos e os treinava internamente. Depois, eles recebiam o título de engenheiro de petróleo. Os cursos em faculdades são mais recentes. Em contrapartida, hoje temos um mercado mais aberto e oportunidades em multinacionais”.
Além de mandar bem em Exatas, o profissional precisa ter jogo de cintura: saber trabalhar sob pressão, se comunicar bem, ser proativo, responsável, ter perfil de liderança e dominar tecnologia. E aqui entra a famosa Indústria 4.0.
“As empresas estão automatizando processos, tornando tudo mais limpo e eficiente. O engenheiro precisa usar tecnologia como aliada. Quem quer sobreviver precisa saber otimizar processos e tratar dados”, destaca Sheila.
Agora, a parte que todo mundo espera: o salário. No Brasil, o inicial gira em torno de R$ 7.806, podendo ultrapassar R$ 12.000. Em empresas estrangeiras, a remuneração pode ser em dólar ou euro. Sim, os boletos agradecem.
Como saber se essa carreira combina com você
Para quem está considerando seguir esse caminho, Sheila é direta (e realista):
“É preciso gostar de viver cada dia como uma página em branco. Não existe rotina fixa. Os desafios são constantes, o trabalho é em equipe e alguns projetos duram 7 ou 14 dias. Disponibilidade para viajar costuma fazer parte”.
Ela também recomenda gostar de leitura e de assuntos ligados à geopolítica. Afinal, o petróleo está diretamente conectado a decisões globais — Rússia, Arábia Saudita e afins não são apenas nomes de aula de História.
“No início da pandemia, o preço do barril ficou negativo e muita gente se assustou. Quem acompanha o mercado entende esses movimentos. Por isso, recomendo congressos, revistas técnicas e materiais da Petrobrás, que são muito bons”, comenta.
Pensando em empregabilidade no Brasil, o combo é claro: faculdade de qualidade, networking bem feito e desenvolvimento de soft skills.
Para fechar, Sheila deixa um recado importante — especialmente para quem ainda acha que existe “perfil padrão” na Engenharia:
“Me formei na Estácio. Na minha turma, só tinham duas mulheres. É uma área majoritariamente masculina e desafiadora. Quem quer Engenharia de Petróleo precisa se preparar bem e entender que seu lugar de morar pode ser o mundo”.