Sem universidade, alunos de faculdade fechada vão ao MPF para não perder bolsas do Prouni

Estudantes da Faculdade Mato Grosso do Sul (FACSUL), que encerrou as atividades no início de 2026, acionaram o Ministério Público Federal (MPF) para tentar garantir a manutenção das bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni).

Os alunos alegam que, com o fechamento da instituição, correm o risco de perder o benefício custeado pela União. Também afirmam que a Universidade Anhanguera-Uniderp (Uniderp) teria se recusado a aceitar bolsistas do programa, recebendo apenas estudantes pagantes.

A reportagem é assinada por João Pedro Flores e foi publicada em 24 de fevereiro de 2026.


📌 Pedido de intervenção do MPF

Os estudantes protocolaram denúncias pedindo:

  • Apuração dos fatos
  • Garantia da continuidade das bolsas
  • Preservação do direito à educação
  • Continuidade dos estudos sem prejuízo financeiro

Eles alegam possível violação a princípios constitucionais, como o direito à educação e a política pública federal de inclusão educacional.

Entre as dificuldades relatadas estão:

  • Problemas de compatibilização curricular
  • Extensão do tempo de curso
  • Custos extras com mensalidades
  • Insegurança sobre aproveitamento de disciplinas

⚖️ MPF declina da competência

O procurador da República responsável concluiu que não há interesse federal direto que justifique a atuação do MPF.

Segundo o entendimento, as supostas irregularidades envolvem:

“Relações contratuais privadas, gestão acadêmica e manutenção de bolsas no âmbito de instituições particulares.”

Ou seja, não haveria responsabilidade direta da União ou de órgãos federais na controvérsia.

Com isso, o caso foi encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).


📚 Entendimento do STJ

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) indica que disputas envolvendo instituições privadas de ensino superior — quando restritas a obrigações contratuais ou manutenção de bolsas do Prouni — costumam ser de competência da Justiça Estadual.

Exceções podem ocorrer em casos como:

  • Mandado de segurança contra ato federal
  • Registro de diploma
  • Credenciamento junto ao MEC

🗣️ Relatos de estudantes

Uma aluna de Enfermagem, bolsista 100% do Prouni, afirmou que na reunião realizada em 1º de dezembro de 2025 foi informado que todos poderiam se transferir para a Uniderp e dar continuidade ao curso.

No entanto, ao procurar a instituição, recebeu a informação de que a universidade não aceitaria bolsistas do programa.

Além disso, relatou outro problema:
Na FACSUL, o curso de Enfermagem tinha duração de quatro anos. Já na instituição de destino, a carga horária prevê cinco anos, o que implicaria:

  • Mais um ano de estudos
  • 12 mensalidades adicionais
  • Atraso na conclusão do curso

Outra estudante, do curso de Direito, afirmou que depende integralmente da bolsa para permanecer no ensino superior e que a recusa inviabiliza sua transferência.

Também há relatos de que não foi apresentada ata formal da reunião que tratou do encerramento das atividades.


🎓 Impactos relatados

Os estudantes mencionam prejuízos:

  • Acadêmicos
  • Financeiros
  • Emocionais

A extensão do tempo de formação e a possibilidade de perda da bolsa integral são os principais pontos de preocupação.


📌 Próximos passos

Com o encaminhamento ao MPMS, caberá ao órgão estadual analisar:

  • Eventual responsabilidade das instituições envolvidas
  • Possíveis medidas de mediação ou ação judicial
  • Garantias aos estudantes afetados

Até o momento, não há decisão definitiva sobre a manutenção das bolsas ou eventual obrigação de outra instituição absorver os bolsistas.

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