Janeiro Branco sem drama: o que seu prato tem a ver com sua saúde mental (spoiler: muita coisa)

Porque não basta começar o ano com planner novo se a cabeça continua no modo “bugada”.

Janeiro chegou e, junto com ele, a campanha Janeiro Branco, que coloca em pauta algo que todo universitário da Estácio conhece bem: saúde mental. Ansiedade, estresse, cansaço emocional… tudo isso faz parte do pacote da vida adulta (infelizmente). E sim, a alimentação entra nessa equação — querendo ou não.

Segundo especialistas, não comemos apenas para nutrir o corpo. O equilíbrio mental influencia diretamente nossas escolhas alimentares, e essa relação funciona como uma verdadeira via de mão dupla: o que você come impacta seu estado físico, emocional e psicológico, enquanto suas emoções determinam como — e por que — você come.

Ou seja: aquele combo de ansiedade + delivery às 23h não é coincidência.


Nutrientes que ajudam o cérebro a não surtar

Quando o assunto é saúde do cérebro, alguns nutrientes fazem mais diferença do que muita gente imagina. O ômega-3, encontrado em peixes, chia e linhaça, contribui para a cognição e ajuda na prevenção de sintomas depressivos. Já as vitaminas do complexo B, presentes em carnes, ovos e laticínios, participam da produção de neurotransmissores — basicamente, ajudam seu cérebro a funcionar sem travar.

Minerais como magnésio, zinco e ferro favorecem a comunicação entre os neurônios, enquanto o triptofano, encontrado em alimentos como banana, aveia, cacau e leite, é precursor da serotonina, o famoso neurotransmissor do bom humor. Sim, aquele que some misteriosamente em semana de prova.

De acordo com Cleverton Madeira Barbosa, nutricionista especializado em comportamento alimentar e docente da Estácio, a qualidade da alimentação faz diferença real na saúde mental. Estudos indicam que o consumo frequente de ultraprocessados está associado a maior risco de sintomas ansiosos e depressivos, enquanto padrões alimentares mais equilibrados tendem a reduzir esse risco.

Mas calma: não existe alimento milagroso. Nenhum prato substitui terapia ou tratamento psiquiátrico.


Comer bem não é dieta restritiva (relaxa)

O nutricionista reforça que a alimentação, sozinha, não trata transtornos psiquiátricos. No entanto, manter um padrão alimentar equilibrado, sem pular refeições, incluindo todos os grupos alimentares e respeitando os sinais de fome e saciedade, ajuda na estabilidade do humor e na manutenção da energia ao longo do dia.

Mais importante do que “o que comer” é como você se relaciona com a comida. Criar uma relação menos culposa e mais consciente com a alimentação é decisivo para a saúde mental. Em outras palavras: comida não é inimiga, nem castigo.


E a vontade absurda por doces?

Sim, ela existe. E não, você não é fraco por isso.

A vontade por doces pode surgir por vários motivos: estresse, busca por recompensa rápida, alterações hormonais, dietas restritivas ou simplesmente prazer. “E está tudo bem, afinal, quem não gosta de um docinho?”, comenta Barbosa. O desafio é perceber quando esse desejo faz parte de uma alimentação equilibrada e quando vira uma estratégia para lidar com emoções difíceis.

Ele alerta que jejuns prolongados e dietas muito restritivas, comuns em tentativas desesperadas de emagrecimento, não são sustentáveis e podem aumentar a ansiedade e o risco de transtornos alimentares. Nesse cenário, o papel do nutricionista especializado em comportamento alimentar é essencial: identificar gatilhos, diferenciar tipos de fome (física, emocional, social), reduzir a culpa em torno da comida e criar estratégias práticas para escolhas mais conscientes.

O foco não é proibir alimentos, mas resgatar a autonomia alimentar, sem abrir mão do prazer de comer. Simples, mas nada fácil.


Comer consciente: menos tela, mais atenção

Uma prática simples — e subestimada — é o comer consciente. Sentar com calma, largar o celular, observar as cores do prato, sentir o aroma, mastigar devagar e prestar atenção nos sabores e texturas. Isso melhora a digestão, aumenta a saciedade e ajuda a construir uma relação mais equilibrada com a comida.

Pode parecer papo zen, mas funciona.


Alimentação não faz milagre, mas ajuda (e muito)

Cuidar da saúde mental hoje exige olhar para vários aspectos da vida, e a alimentação é uma peça importante desse quebra-cabeça. Sozinha, ela não substitui psicoterapia, atividade física ou acompanhamento psiquiátrico, mas funciona como um suporte poderoso quando integrada a esses cuidados.

Quando você para de tratar a comida como vilã e começa a enxergá-la como aliada, o cuidado com a saúde mental se torna mais humano, amplo e possível. E isso, sim, é usar a nutrição a favor da sua sanidade — especialmente em pleno janeiro.

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